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LIBER תישארב
vel
THISHARB

Viæ Memoriæ

sub figura CMXIII

 

 

A.·.A.·.

Publicação em Classe B

 

Tradução: Frater EVER a.k.a. Marcelo Ramos Motta

 

000. Talvez.

00. Não foi possível construir este livro sobre uma base de puro Ceticismo. Isto pouco importa, pois,a prática leva ao Ceticismo, e, talvez, através deste.

0. Não é o propósito deste livro conduzir à suprema consecução. Ao contrário, seus resultados definem o ente do Adepto Exempto à parte do resto do Universo, e revelam a relação dele com aquele Universo.

1. O livro é de tanto valor para o Adepto Exempto que Nós não podemos exagerar-lhe a importância. Que o Adepto Exempto não se aventure, de modo algum, a mergulhar no Abismo até que ele tenha executado o conteúdo do Livro para a sua mais perfeita (execução), digo, satisfação.

2. Pois no Abismo, nenhum esforço é possível de qualquer forma. O Abismo é atravessado por virtude da massa do Adepto e seu Karma, Duas forças o impelem: (1) a atração de Binah, (2) o impulso de seu Karma; e a facilidade e até a segurança da sua passagem dependem da força e direção deste último.

3. Se alguém imprudentemente ousasse a passagem e tomasse o irrevogável Juramento do Abismo, ele poderia ficar perdido ali durante Æons de incalculável agonia; ele poderia mesmo ser arremessado de volta a Chesed, com o terrível Carma do Fracasso adicionado às suas imperfeições originais.

4. Já foi dito até que em certas circunstâncias é possível cair por completo da Árvore da Vida e atingir as Torres dos Irmãos Negros. Mas nós afirmamos que isto é impossível para qualquer Adepto que tenha verdadeiramente atingido seu grau, ou até para qualquer homem que realmente tenha buscado auxiliar a humanidade, mesmo por um só segundo, e isto se bem que sua aspiração pode ter sido impura devido à vaidade ou qualquer ou qualquer outra semelhante imperfeição.

5. Portanto, que o Adepto que descobrir que o resultado destas meditações não lhe é satisfatório, recuse tomar o Juramento do Abismo e viva de forma que seu Carma ganhe força e direção apropriada à tarefa em algum período futuro.

6. A memória é essencial à consciência individual, de outra forma, a mente seria uma tela vazia sobre a qual sombras são projetadas. Mas nós vemos que não só a mente retém impressões, mas também ela é constituída de tal forma que sua tendência é reter algumas melhores que outras. Assim, o grande letrado classicista, Sir Richard Jebb, era incapaz de aprender mesmo a matemática elementar requerida para o exame preliminar da Universidade de Cambridge e foi necessário um decreto especial das autoridades para admiti-lo.

7. O primeiro método a ser descrito foi detalhado por Bhikkhu Ananda Metteya, em seu “Treino da Mente” (The Equinox, I (5), pp 28-59 e, especialmente, as páginas 48-56). Nós pouco temos a alterar ou adicionar. Seu mais importante resultado, no que se refere ao Juramento do Abismo, é a liberdade de todo desejo e o desprendimento de todas as coisas que confere. Seu segundo resultado é auxiliar o adepto no segundo método, fornecendo-lhe dados adicionais para a sua investigação.

8. O estímulo da memória útil, em ambas as práticas, é também conseguido através da simples meditação (Liber E), num certo estágio da qual velhas memórias surgem sem terem sido chamadas. O adepto pode então praticar isto, pausando naquele estágio e encorajando, em vez de suprimir, os lampejos de memória.

9. Zoroastro disse: “Explora o Rio da Alma, de onde ou em que ordem tu vieste, de forma que, se bem que tu te tornaste um servidor do corpo, tu possas novamente erguer-te àquela Ordem (a A.·.A.·.) da qual tu desceste, juntando Obras (Kamma) à Sagrada Razão (O Tao)”.

10. O Resultado do Segundo Método é mostrar ao Adepto para que fim seus poderes são destinados. Quando ele passou o Abismo e se tornou NEMO, o retorno da corrente faz com que ele “apareça no céu de Júpiter como uma estrela matutina ou uma estrela vespertina”. Em outras palavras, ele deve descobrir qual pode ser a natureza do seu trabalho. Assim, Mohammed foi um irmão refletido em Netzach, Budha refletido em Hod, ou, como dizem alguns, em Daath. A presente manifestação de Frater P. para a externa é em Tiphareth, para a interna no caminho de Leo.

11. Primeiro Método. Que o Adepto Exempto se treine primeiramente a pensar em reverso por meios externos, tal como segue:

a) Que ele aprenda a escrever em reverso com qualquer das mãos.

b) Que ele aprenda a andar para trás.

c) Que ele veja constantemente, se possível, filmes de cinema e escute discos de trás para diante e que se acostume a tais até que eles lhe pareçam naturais e interessante.

d) Que ele pratique falar em reverso, assim, em vez de “Eu sou Ele”, que ele diga “elEuos uE”.

e) Que ele aprenda a ler em reverso. Nisto é difícil evitar enganar a si próprio, pois um leitor perito lê uma sentença inteira de um só golpe de vista. Que seu discípulo leia em voz alto para ele, de frente para trás, no princípio devagar, depois mais depressa.

12. Fazendo isto, a princípio seu cérebro será tomado de uma sensação de completa confusão, em seguida o cérebro tentará evadir a dificuldade através de um truque. O Cérebro pretenderá que está trabalhando em reverso, quando na realidade seu trabalho será normal. É difícil descrever a natureza do truque, mas será bem obvio a qualquer pessoa que tenha executado as práticas (a) e (b) durante um dia ou dois. As práticas tornam-se bem fáceis e ele pensará que está progredindo, uma ilusão que uma análise atenta dissipará.

13. Tendo começado a treinar seu cérebro dessa maneira e tendo obtido algum sucesso, que o Adepto Exempto, sentado em seu ásana, reflita primeiro na sua presente posição, depois no ato de sentar-se, depois na sua entrada no local de prática, depois no ato de vestir-se etc., exatamente como tudo isto aconteceu. E que ele se esforce muito intensamente em compor e recordar cada ato como acontecendo em reverso. Não é suficiente pensar: Eu estou sentado aqui e antes disso eu estava de pé e antes disso eu entrei no quarto etc. Esta série é um truque descoberto nas práticas preliminares. A série não deve ser “ghi-def-abc-“ mas sim “ihgfedcba”, não “cavalo é um isto”, mas sim “otsi é olavac, ou melhor, olavac um é otsi. Para se conseguir bem isto, a prática (c) é muito útil. Será verificado que o cérebro luta constantemente por endireitar-se, cedo se acostumando a aceitar “olavac” como apenas outro símbolo de “Cavalo”. Essa tendência deve ser constantemente evitada.

14. Nos estágios iniciais dessa prática, o esforço deve ser por obter meticulosa minúcia de detalhes ao relembrar atos, pois o hábito do cérebro “de pensar para frente” será no início insuperável. Pensar em atos grandes e complicados, portanto, dará uma série que nós podemos escrever simbolicamente “opqrstu-hijklmn-abcdefg”. Se estas seções forem divididas em detalhes, teremos uma série “stu-pqr-omn-hl-hij-fg-cde-ab” que se aproxima muito mais do ideal “utrsqponmlkjihgfedcba”.

15. Capacidade diferem amplamente, mas o Adepto Exempto não terá razão de se sentir desanimado se após um mês de trabalho contínuo ele percebe que de vez em quando, durante alguns segundos, seu cérebro realmente trabalha em reverso.

16. O Adepto Exempto deveria concentrar seus esforços em obter uma pintura perfeita de cinco minutos em reverso, antes que em prolongar o tempo ocupado pela sua meditação. Pois este treino preliminar do cérebro é o pons Asinorumdo processo todo.

17. Estes cinco minutos de exercício sendo satisfatórios, o Adepto Exempto pode prolongar os mesmos de acordo com o seu julgamento até cobrir o espaço de uma hora, um dia, uma semana e assim por diante. As dificuldades se desvanecem a sua frente à medida que ele avança: assim, a extensão do espaço de um dia, ao curso de sua vida inteira, não será tão difícil quanto foi tornar perfeitos os cinco minutos com que principiou.

18. Esta prática deveria ser repetida pelo menos quatro vezes por dia e o progresso é demonstrado primeiramente pelo trabalho cada vez mais fácil do cérebro em reverso, segundo pelas memórias adicionais que surgem.

19. Será útil ponderamos, durante essa prática (que com o decorrer do tempo se torna quase mecânica), sobre a maneira em que efeitos decorrem de causas. Isto auxilia a mente a estabelecer conexão entre as suas memórias e prepara o adepto para a prática preliminar do Segundo Método.

20. Tendo permitido à mente que retorne durante cem vezes até à hora do nascimento, ela deve ser encorajada a tentar penetrar além daquele período. Se tiver sido bem treinada para funcionar em reverso, haverá pouca dificuldade em fazer isto, se bem que é um dos notáveis estágios de progresso na prática.

21. Pode ser então que a memória persuadirá o adepto de alguma existência prévia. Onde isto for possível, verifique-se a memória apelando para os fatos, como segue.

22. Frequentemente ocorre com os homens que, visitando um lugar onde nunca antes estiveram, este lhes pareça familiar. Isto pode ser causado por uma confusão do pensamento ou um lapso de memória, mas, concebivelmente pode também ser um fato.

Se, então, o adepto “se lembra” de que ele, em uma vida prévia, esteve em alguma cidade, digamos, Cracow, a qual ele nesta presente vida nunca visitou, que ele descreva de memória a aparência de Cracow e de seus habitantes, anotando seus nomes. Que ele, além disto, entre em detalhes sobre a cidade e seus costumes. E tendo feito isso com grande minúcia, que ele, então, confirme suas notas por consultas com historiadores e geógrafos ou por uma visita pessoal, lembrando-se (tanto para crédito quanto para descrédito de sua memória) que historiadores, geógrafos e ele mesmo são falíveis. Mas que ele não confie em suas recordações para aceitar conclusões desta com fatos e agir baseado em tais fatos, sem a mais completa e adequada confirmação.

23. Este processo de verificar sua memória deveria ser praticado com as mais antigas memórias da infância e da mocidade, por referência à memória ou aos registros de outras pessoas, sempre ponderando a falibilidade de tais medidas de segurança.

24. Tudo isso sendo feito com perfeição, de forma que a memória se estenda de volta a æons incalculavelmente distantes, que o adepto medite sobre a inutilidade de todos aqueles anos e seu fruto, discriminando entre aquilo que é transitório e sem valor e aquilo que é eterno. E pode ser que ele, sendo apenas um Adepto Exempto, considere tudo sem sabor e repleto de sofrimento.

25. Assim sendo, sem relutância, ele jurará o Juramento do Abismo.

26. Segundo Método. Que o Adepto Exempto, fortificado pela prática do Primeiro Método, entre na prática preliminar do Segundo Método.

27. Segundo Método. Prática preliminares. Que ele, sentado em seu Ásana, considere qualquer evento e trace este às suas causas imediatas. E que isto seja feito mui completo e com grande minúcia. Por exemplo: Eis aqui um corpo ereto e parado. Que o adepto considere as muitas forças que mantêm esse corpo em sua presente posição. Primeiro a atração da terra, do Sol, dos planetas, das estrelas mais longínquas, e não só isso, mas também a atração de todo grão de pó no quarto, pois se um pudesse ser aniquilado, isso seria causa para que o corpo se movesse, por mais imperceptivelmente que fosse. Também a resistência do assoalho, a pressão do ar e todas as outras condições externas. Segundo, as forças internas que o sustentam: a vasta e complexa estrutura do esqueleto, os músculos, o sangue, a linfa, o tutano, tudo que junto faz um homem. Terceiro, as forças morais e intelectuais implicadas: a mente, a vontade, o consciente. Que ele persista nisso com ardor inabalável, investigando a natureza, nada omitindo.

28. A seguir, que ele tome uma das causas imediatas da sua posição e investigue o equilíbrio dessa causa. Por exemplo, a vontade. O que determina a vontade a auxiliar a conservação do corpo ereto e parado?

29. Isto tendo sido determinado, que ele escolha uma das forças que impeliram a sua vontade e a trace de maneira análoga, e que este processo seja continuado durante muitos dias até que a interdependência de todas as coisas seja uma verdade assimilada no mais íntimo do ser dele.

30. Isto conseguido, que ele trace a sua própria história com referência especialmente às causas de cada acontecimento. E nesta prática ele pode, até certo ponto, negligenciar as forças Universais que sempre agem sobre todos, como por exemplo a atração das massas, e que ele concentre a sua atenção a sobre as causas principais e determinadoras ou efetuadoras.

Por exemplo, ele está, talvez, sentado em um local campestre na Espanha. Por que? Porque a Espanha é quente e apropriada para meditação e porque as cidades são barulhentas e cheias de gente. Por que escolher a quente Espanha antes que a quente Índia? Quanto à última pergunta: Porque a Espanha está mais perto de casa. Então, por que ele mora perto da Espanha? Porque seus pais eram alemães. E por que foram seus pais para Alemanha? E assim para meditação inteira.

31. Noutro dia, que ele comece com uma pergunta de outro tipo, e cada dia divise novas perguntas, não apenas quanto à sua situação presente, mas também perguntas abstratas. Assim, que ele correlacione o prevalecimento de sobre a superfície do Globo com o fato de a água ser necessária à vida tal como nós conhecemos, com a gravidade específica e outras propriedades físicas da água, e que ele perceba, por fim, através disso tudo, a necessidade e concórdia das coisas, não concórdia como os letrados de antanho acreditavam, que todas as coisas eram feitas para benefício e conveniência do homem, mas a concórdia essencial mecânica cuja lei final é a Inércia. E nestas meditações, que ele evite, como a praga, qualquer especulação sentimental ou fantástica.

32. Segundo Método. A prática propriamente dita. Tendo, então, tornado perfeitas em sua mente essas concepções, que ele as aplique à sua própria carreira, forjando os elos de memória na cadeia da necessidade.

E que esta seja sua pergunta final: Para que sirvo Eu? De que utilidade pode meu ente ser aos Irmãos da A.·.A.·. se eu cruzar o Abismo e for admitido na Cidade das Pirâmides?

33. Agora, para que ele possa compreender claramente a natureza desta pergunta e o método da solução, que ele estude o raciocínio do anatomista que reconstrói um animal de um único osso. Como um simples exemplo:

34. Suponha-se que eu, tendo vivido a minha vida inteira entre selvagens, que um navio naufraga em nossas praias. Intacta, entre a carga, está uma carruagem do tipo “vitória”. Para que serve isto? As rodas sugerem estradas e, por sua pouca espessura, estradas bem pavimentadas, seu freio sugere estradas íngremes. As lanças demonstram que o veículo deve ser puxado por um animal: o comprimento e altura delas sugerem um animal do tamanho de um cavalo. Que a carruagem é aberta sugere um clima tolerável, pelo menos durante parte do ano. A altura que está o assento do cocheiro sugere ou ruas cheias de gente (de movimento) ou a natureza fogosa do animal empregado para puxar a viatura. Os assentos almofadados indicam que o veículo deve transportar sete humanos e não mercadoria, sua capota indica que algumas vezes cai chuva ou que faz sol muito forte na terra de onde vem. As molas indicariam uma habilidade considerável na manipulação dos metais, o verniz, muito progresso neste artesanato.

35. Semelhantemente, que o adepto considere seu próprio caso. Agora que ele está prestes a se atirar ao Abismo, um gigantesco Por quê? O confronta com um porrete levantado.

36. Não existe átomo, por mais diminuto que seja, da composição dele que possa ser retirado sem fazer dele algo diverso daquilo que ele é, não existe nenhum momento inútil no seu passado. Então, qual é o seu futuro? A “vitória” não é uma carroça, não foi divisada para transportar feno. Não é uma carruagem leve para uma pessoa só e é inútil para corridas de trote.

37. Da mesma forma, o adepto tem gênio militar ou muito conhecimento da língua grega, como podem estas (coisas) consecuções auxiliarem o propósito dele ou o propósito dos Irmãos? Calvin mandou matá-lo ou Hezekia o apedrejou, quando uma serpente, ele foi morto por um aldeão, quando um elefante, morreu em batalha sob Amilcar. Como auxiliam tais memórias? Até que ele tenha determinado por completo o motivo para todos os incidentes do seu passado e encontrado um propósito para todo e cada item do seu equipamento presente, ele não pode responder nem mesmo àquelas Três perguntas que lhe foram primeiramente propostas, as Três perguntas do Ritual da Pirâmide, ele não está pronto para jurar o Juramento do Abismo.

38. Mas sendo assim esclarecido, que ele Jure o Juramento do Abismo, sim, que ele Jure o Juramento do Abismo.

Fonte

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